quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O Vingador


Que saudade de mais filmes assim...


O titulo original do filme diz “Hobo With a Shotgun” ao pé da letra, significa O Mendigo e uma Espingarda, o que é um titulo perfeito nas andanças do filme, mas como é costume no Brasil colocar títulos que por vezes se tornam risíveis ficou o Titulo de O Vingador mesmo, mais clichê é impossível, a historia gira em torno de um homem sem passado que escolhe viver em uma grande cidade, em meio ao caos urbano onde quem dita às regras é o crime organizado. Vendo essa paisagem caótica repletas de ladrões, policiais corruptos, prostitutas e até um Papai Noel pedófilo, Esse tal homem (Rutger Hauer) que por ventura é um morador de rua que viaja clandestinamente em trens, decide fazer justiça com suas próprias mãos com ajuda de apenas um amigo: sua espingarda calibre 20.
Não há tanto mistério com a fotografia, a progressão de luzes e aumento nas cores serviram como diferencial da obra até por que mesmo com o estilo gore, a HQ ganhou destaque justamente pela natureza crua, na utilização do sangue jorrando e de viceras caindo, num ambiente meio obscuro mas cheio de cores por todos os lados, existem algumas criticas sociais ferrenhas que tomam destaque na figura do vicio do entretenimento, dessa vez a ideia do filme é mostrar a evolução da alienação social em meio aos grandes reality’s , outro fator importante abordado na trama é o conformismo, muitos até tem sede de justiça mas prefere que alguém o faça, o que mostra uma pequena influencia do ensaio A Desobediência Civil de Henry David Thoreau.
Em alguns momentos se tem uma noção de exploração de um teor futurista sobre construção da sociedade em cima de dinheiro, poder e corrupção, tem um roteiro bem trabalhado e o diretor (Jason Eisener) não teve medo de explorar cruelmente seus personagens e não quis colocar aquela coisa fofa e bonitinha do heroi vencedor como Robert Rodriguez fez em Machete, a trilha sonora é sempre tensa e lembra bastante os violentos oitentões, não se pode exigir grandes níveis de atuação em um filme desse, mas tem atuações seguras, por vezes exageradas, mas necessárias para construção da identidade da obra, no seguimento trash, esse é um Grindhouse classe A, um classico Explotation com muita violencia gratuita, sangrento ao limite e com uma trama divertidíssima e por vezes sem sentido, é um filme que merece mais atenção, é sempre bom ver um resgate da arte trash esquecida depois dos anos 80.

Django Livre


Tarantino novamente livre

Na era Nolaniana, ver um pouco de liberdade de criação desprendida do noção de Real impulsionada no cinema por Christopher Nolan e seu Batman é uma aventura no mínimo singular, principalmente quando tal experiência é trazida por um cineasta tão distinto de sua geração.
O filme narra a historia de Django que é um escravo liberto que, sob a tutela de um caçador de recompensas alemão (que será vivido por Christoph Waltz) torna-se um mercenário perigoso. Depois de auxiliar seu mentor em alguns trabalhos por dinheiro, os dois partem para uma missão pessoal: encontrar e libertar a esposa de Django das garras de um fazendeiro inescrupuloso.
O longa não é autoexplicativo deixando muito fios soltos, não se sabe ao certo inúmeras coisas sobre o protagonista, seu treinamento de tiro é rápido demais (parece que ele já nasceu atirando) o filme em si não tem propósito de explorar a fundo o tema da escravidão nos EUA, funcionando apenas como pano de fundo e composição do roteiro na construção do Western, as homenagens a mestres do gênero como Eastwood, Wayne e Leone aparecem, hora de maneira sutil e em alguns planos de maneira corriqueira.
No andar do filme fica claro quais eram as intenções do diretor em ter Will Smith como seu protagonista, Jamie Foxx não chega a ter uma atuação ruim, mas se torna apática, principalmente com a atuação animalescas e surtada do Leonardo Di Caprio e na sólida e bem humorada apresentação de Christoph Waltz, que só não teve uma melhor atuação por que mais de uma vez se tem a sensação de estar vendo o famoso Caçador de judeus de Bastardos Inglórios, outra atuação memorável é a de Samuel L. Jackson que de todas é a mais surpreendente que se torna por vezes até irreconhecível variando humores e saltando do teor cômico pro dramático, eu não acharia exagero ver os 3 concorrentes ao Oscar na mesma categoria, nos temas mais técnicos existem alguns equívocos, a trilha se torna por vezes difícil de acompanhar, em diversos filmes Tarantino junta uma musica outra, mas no caso de Django essa junção se torna muito brusca a ponto de quebrar o Ritmo de quem assiste, a fotografia ta bem posta causa impacto se sobrepondo aos tons claros do campo ensolarado, as cores quentes e amareladas do velho oeste americano e nos cinzas da neve, não chega a ser um trabalho brilhante, mas cumpre bem o seu papel.
No campo das aparições especiais, em Django, temos Don Johnson, que ficou famoso como um dos agentes do seriado de tv Miami Vice, e como ex-marido de Melanie Griffith, que o deixou pra ficar com Antônio Banderas. O ator, que caiu no ostracismo por causa de problemas com drogas, está quase irreconhecível com suas madeixas grisalhas. Talvez espere que, como fez com a carreira de Travolta, Tarantino o reconduza à glória da fama? Outra aparição especial é a de Franco Nero, o Django livre da versão spaghetti, original, além é claro de Jonah Hill que acreditava-se ter um papel pelo menos um pouquinho maior.
Por film Django Livre não chega a ser um Bastardos Inglorios mas é gostoso de ver, um filme pra se dar gargalhadas, apreciar exageros e boas atuações com uma esplendida direção, Tarantino não cai no ostracismo da coragem de arriscar até por que já tem assinatura Tarantinesca registrada e nada mais se torna suprema, ou pode negação na sua imensa legião de fãs.


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Um Resumo da era Batman das telonas e telinhas antes do Nolan

Tive que assistir e reassistir a trilogia, para pode enfim fazer uma analise a altura dessa tão aclamada trilogia que criou tendencias e um estilo (não tão) novo de trazer heróis das Hq's ao cinema.
Em minha visão, Batman é um herói construído por encomenda, enxergando a necessidade clara, de um herói mais tangível, algo mais concreto aos olhos da sociedade. 
A tradução desse heroi ao cinema ou a TV, sempre foi algo que impactava seja qual era o motivo, em 65 por exemplo o teor fantástico concebido na primeira serie do Homen Morcego na TV no ano de 1943 dirigida po Lambert Hillyer, que procurava sempre chocar seu telespectador com algo novo e pra aquela época arrebatador, algo como encerrar cada capitulo de maneira diferente, hora com Batman preso numa casa em chamas, outras vezes desarmado na mira de um revolver, ou mesmo num carro caindo em um penhasco. Em 66 essa ideia muda totalmente de figura e entra em cena a patusca das histórias de Bob Kane, transformando o austero em picaresco, o Homem Morcego agora estralado por Adam West passa agora a fazer entretenimento cômico, e quer queira ou não, com todas as suas babaquices e onomatopeias se tornou fenômeno de audiência naquela época, trazendo o herói para o cinema, nas mãos de Leslie H. Martinson que além de eternizar Adam West no papel de homem Morcego, fez um dos filmes mais icônicos da história.    
Eis que chega o ano de 1989 e com ele, a até então, grande promessa Hollywoodiana Tim Burton trazia novamente esse grande personagem as telas grandes, e daria sequencia ao seu trabalho em 1992, dessa vez tentando colocar o eterno "Beetlejuice" Michael Keaton como o Homem Morcego,Tim faz um trabalho enxuto, trazendo um Batman sombrio e com vilões classe A, explorando no primeiro filme o terror psicológico do personagem Coringa interpretado pelo grande e alegórico Jack Nicholson, já no segundo  Tim traz um vilão mais cômico, e tão doentio como o anterior, dessa vez era o imundo vilão Pinguim, que conta com uma atuação totalmente surtada de Danny DeVito (pra mim a melhor interpretação de sua carreira)   ambos os filmes tinham Hq's pontuais como referencia, o primeiro filme parece experimental, como se ele fosse um protótipo pra algo maior, Michael não parece a vontade no papel de homem morcego e por vezes demonstra uma canastrice digna de Ben Afleck, mas não estraga a beleza exótica do filme que explora bem as sombras e os coloridos do filme, a defeito maior se tem na parte mais técnica, de montagem e estrutura mesmo, erros simples de continuidade e falta de argumento no roteiro, nem o bom e velho Jack Nicholson tornou-o um filme clássico, mas de todo modo é um bom filme. No segundo filme houve um amadurecimento, a fotografia estava mais bem localizada, o roteiro mais simples e Danny deu uma sacudida que o filme precisava, fica clara minha preferencia pelo segundo filme, mas os dois se equiparam e são bons filmes.
Até então o universo do Homem Morcego no cinema e na TV de certa forma estavam bem representado, até 3 anos após o trabalho de Burton, o próprio de Tim muda de cargo e se torna produtor, entrava em cena o Reboot dirigido pelo despirocado Joel Schumacher e elenco de estrelas como Tommy Lee Jones como Duas Caras, Jim Carey como Charada e Val Kilmer como o Homem Morcego, expectativa era grande até por causa do grande elenco com grandes nomes, mas o resultado não saiu como o esperado, Batman eternamente parecia mais um filme promo, do que um blockbuster de verdade, pois, reuni atores conhecidos em torno de roteiro e uma direção fraca, buscando bilheteria no  imenso apelo midiático de seu elenco,  a obra se enverga no sentido da criação da ação desesperada e nas piadas por vezes sem graça pra criar um teor comico, que nao funciona desde o inicio, Val Kilme parece mais o RocoCop de Paul Verhoeven do que propriamente o Homem Morcego criado por Bob Kane, nem o "grande" elenco consegue dar o animo necessario. O mais criticado da vez foi Val Kilmer, crucificado (na minha opinião, injustamente) e retirado da continuação Batman e Robin que traz Georg Clooney como novo apelo de mercado, trazendo consigo mais estrelas como Arnold Schwarzenegger interpretando o vilão (fraquissimo) de terceira linha Mr. Freeze e Uma Thurman como Hera venenosa, o resultado foi o mesmo do primeiro filme, roupas apertadas trajes cheios de enfeites um Robin intrometido e tecnológico, pouca historia, pouca atuação e como ja era projetado, pouco dinheiro arrecadado, Clooney estava mais canastrão do que nunca, conseguindo ser menos convicente do que todo e qualquer Batman ja feito no cinema.


Nesse momento ja era claro que necessitava-se de uma total renovação desse aclamado personagem, ao mesmo tempo as HQ's do Batman eram disputadas a tapa nas bancas com os trabalhos feitos por Grant Morrison e pelo Frank Miller, o que indicava ainda mais a clara certeza de uma nova cara para o Batman no cinema.

Minhas proxima postagem é sobre o Batman do Nolan.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Debate em Aberto- O espetacular Homem Aranha

Por Marcos Willer


Com centenas de erros de roteiro, Homem-Aranha é um filme definido e muito bem contado dentro da cabeça dos novos fãs (os que conheceram através dos filmes), e dos velhos fãs (os que conheceramatravés das HQs). 
Até hoje não entendo muito bem o porque fazer isso, já que faz tão pouco tempo que vimos o cabeça de teia nas telas. Muitos falam que é por causa do fracasso do terceiro filme entre o público, outros falam que é por causa da idade do protagonista que completa 37 anos… mas enfim, imaginei que houvesse alguma coisa interessante que não foi contado na história original e que eles viram a necessidade de reiniciar para contar tudo novamente… sim, havia uma coisa não explicada, mas estava longe de ser interessante.
A história nunca antes contada”, foi assim que os trailers nos vendia o novo Homem-Aranha ,entretanto já de cara nos mostrava que o filme nos contaria aquilo que nunca ninguém quis saber: a história dos pais do Peter Parker… Sério, eu nunca me perguntei sobre oque aconteceu com os pais dele, já que a Tia May no primeiro filme já nos conta que eles faleceram em um acidente. Pouco depois, pesquisando, descobrir que existe um arco de histórias nos quadrinhos onde essa premissa é explorada, entretando soube que não é a favorita dos fãs.

“O Espetacular Homem-Aranha” não é um filme ruím. Peca em diversos aspectos, a começar por esse em querer explicar uma coisa que não precisa de explicação, e que não consegue levantar um enigma que faça o público se coçar na cadeira para querer saber a resposta. Pela proximidade entre os filmes, não tem como não querer comparar o andamento da trama do primeiro com esse, e a gente percebe que os atores do primeiro filme, em sua maioria, convencem bem mais que os dessa nova franquia. Apesar de seu aspecto extremamente emocional, que não é ruím, a direção não consegue fazer você sentir falta de um Tio Ben que foi vítima de um assaltante… aliás, parece até que nem o próprio sobrinho e esposa ligaram tanto para a perda do familiar.
Andrew Garfield para mim conseguiu quebrar a imagem que tínhamos de um primeiro Peter Parker. Ele deu uma nova vida ao personagem, conseguiu fazer com que ele fosse visto como “O Homem-Aranha”. Meio bobo, tímido, mas ao mesmo tempo confiante com seus novos poderes, o personagem tem chatos lápsos de lembranças do abandono dos pais na infância. Quando começa a caçada pelo assassino do tio mostra que está com um sentimento de vingança e que de início nunca pretendeu ser um “amigo da garotada” e sim um vingador que faz justiça com as próprias mãos.
O romance adolescente entre Parker e Gwen Stacy (Emma Stone) é muito bem explorado, apesar de tudo aparecer muito rápido dentro da trama do filme. Entre o momento Peter Parker bobão e Peter Parker herói desmascarado não consegui ter uma dimensão temporal entre os acontecimentos… foi tudo atropelado demais. Emma, é ótima atríz, principalmente quando está fazendo o papel de adolescente doida cheia de problemas. Contudo, nesse papel, ela fica mais omissa num primeiro instante, sendo mais uma espectadora entre o debate entre seu pai e seu amado. Só consegue um destaque maior no terceiro ato do filme, quando parte para a ação.
Outra trama novelesca dentro filme é o fato do herói ser responsável para criação do vilão e esse ter seu passado junto com o pai do herói… mais uma vez: descessessário! Tudo sendo construído num cenário de tragédia grega onde existe omissão de informações por parte de um, e um sentimento de culpa por parte de outro. Entendo a intensão de trabalhar mais a história e não fazer um mero filme de ação, só que foi um exagero dar tanto destaque e diálogos para que tudo consiga fazer um sentido dentro desse novo universo do herói.
“O Espetacular Homem-Aranha” está longe de ser perfeito, mas está mais longe ainda de ser um filme ruim. Consegue dar duas horas de diversão e risadas dentro do cinema, só que não vá com tanta expectativa, pois tudo o que o filme tem de melhor em relação à cenas de ação, já foram apresentadas para o público nos trailers

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Homem Aranha e O Espetacular Homem Aranha

     Vou tentar ao máximo conter meu saudosismo costumeiro, pra tentar fazer uma critica e uma comparação mas contundente dessas obras no entanto, certamente em algumas passagens perceberão citações de cunho pessoal.
         Como um apto leitor de quadrinhos, não poderia deixar de conferir 3 obras cinematográficas oriundas de clássicas HQ's, que foram pro cinema esse ano, duas delas retornam pras telas e uma era ainda "inédita".
         Vou direto ao reboot de Homem Aranha do diretor Marc Webb, minhas primeiras impressões seriam a de um filme que eu queria distancia, meus motivos eram os mais claros e entendíveis possíveis, primeiro por que se um personagem não é explorado pelo estúdio que detém os direitos, os tais direitos de imagem do personagem voltam diretamente pra Marvel, partindo dessa logica o que dá a entender é que a produtora teve pressa em fazer uma nova franquia e para meu descontentamento o produtor dessa nova franquia seria novamente Avi Arad, até aí tudo bem, contrataram um ator em ascensão, um diretor que é mestre em fazer filmes "fofos" como 500 dias com ela, e contrataram praticamente os mesmos roteiristas da ultima franquia, pra fazerem a "historia nunca contada" do Homem Aranha, o segredo sobre os pais de Peter Parker, coisa que pelo menos pra mim nunca fizeram sentido algum nem nas HQ's, até peço perdão a alguns viciados no Homem Aranha, mas o universo The Amazing não é dos melhores.
      Lembrando um pouco dos filme do Sam Raimi com Tobey Maguirre como protagonista, o primeiro filme pode não ser um primor de perfeição, ou um grande clássico de filmes de herói, mas de certa forma consegue cumprir com o seu papel, tanto que o reconhecimento veio nas bilheterias se tornando um dos filmes mais bem sucedidos daquela época, o segundo filme tinha uma proposta mais ousada retrato disso era o orçamento avaliado em US$  200 milhões, a ousadia refletiu nas telas e o filme novamente foi muito bem sucedido, Alfred Molina com uma interpretação de Dr. Octopus beirando a perfeição se tornando um deleite pra quem apreciava o personagem. A partir do sucesso dos dois filmes o terceiro deveria seguir o caminho e superar os anteriores, a primeira  ação foi aumentar o orçamento que pulou pra um valor entre US$ 250 a 290 milhões se tornando naquela época o filme mais caro da historia (existe o Cleopatra mas como o valor nunca foi confirmado devido a problemas de conversão da moeda, eu não o mencionarei) segundo alguns Blog's americanos, a intensão de Sam Raimi dessa vez era trazer o vilão carniceiro e violento Abutre vivido por nada menos que John Malkovich para o terceiro filme,mas Avi Arad achava que seria desperdício de dinheiro trazer um vilão B pra um filme tão esperado e colocou seu dedo no roteiro pra trazer Venon, Homem Areia e Duende Macabro tudo num filme só, além disso tentando trazer o publico adolescente pro cinema o próprio Avi Arad confirmou que haveria uma mudança de postura no filme pra torna-lo um pouco mais adaptável aos tempos "atuais" ou seja na moda, o que vemos foi um dos maiores desastres cinematográficos já visto, apesar de arrecadar US$ 800 milhões, o filme mais caro da franquia foi o que menos arrecadou.
        Voltando as impressões do Espetacular Homem Aranha, é um bom filme, Andrew Garfield fisicamente se equipara mais ao Peter que conhecemos, mas é bem menos ator que Tobey, pois não consegue encontrar um padrão ou um equilibrio dramático pro personagem, pecando principalmente pelos exageros de caras e bocas, mas de todo modo não estraga o personagem, Emma Stone tem atuação regular e sem grandes surpresas, a surpresa mesmo fica por conta de Martin Sheen como tio Ben que encontra na atuação simples ,explorar bem os conflitos do velho Ben, o filme feito especialmente para o 3D cumpre o que promete em relação a isso, o filme abusa da tecnologia e abusa bem, sem deixar cair no ostracismo clássico que depender do 3D pra obter exito no trabalho.
        Os pontos fracos do filme recaem sobre o roteiro, a ideia de um roteiro perfeitinho, onde tudo de certa forma tem ligação não me convence, a lógica "begins" de fazer filme não me impressiona mas também não me agrada quando se tem um roteiro onde tudo tem que se encaixar e ligar fios onde não tem, quer dizer que até a mordida de uma aranha num jovem nerd tem que ter motivo? Outro problema fica por conta do vilão, não que Lagarto não seja empolgante, mas o apelo psicológico do personagem, perde o valor quando não colocam a família dele no roteiro, além disso apesar disserem que a "consciência" que ele tem no filme é meio superficial então se torna aceitável, pra mim não.
       Outra duvida maior pra mim é saber por que a Oscorp fabricava as teias?

     É um bom filme, mas pelo menos esse primeiro trabalho ainda prefiro o do Sam Raimi, Marc Webb ainda tem que aprender muito sobre como fazer filme de herói e lembrar que Peter Parker se torna tão auto confiante com a "armadura" do aranha que abusa das ironia e tem muito carisma, coisa que nao percebi nesse filme, agora é esperar o proximo.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Inesquecivel

Relembrando o passado...

Dica

Regras da da atração não é um filme, pra mostrar um roteiro surpreendente ou te prender na tela por ta vendo uma atuação impressionante, ele busca mostrar o lado negro das relações com jovens (como Benton mostra com adultos em "Banquete do Amor"), destacando drogas, orgias e até suicidio, é uma forma perfeita de cortar com romances bobos e mostrar de vez o lado negro das atrações.
O impressionante no filme é a forma de lídar com os pontos de vista de cada, transformando num roteiro com até 4 protagonistas, além de personagens ocultos que desafiam a atenção e inteligencia de quem assite, um filme que choca, que faz rir e principalmente te faz sentir raiva ou até mesmo não sentie nada, pois justamente a missão contida na proposta do roteiro é mostrar os signos de crueldade da vida, que vão alé das linhas do colegial e transpassam pela educação de casa, vida nas ruas, pobreza e objetivos de vida diferente.
Esse é sem duvida um dos melhores filmes que ja ví.

Sinopse

Em plenos anos 80, Sean Bateman (James Van Der Beek) é um traficante de drogas que age na faculdade Camden, na Inglaterra. Sean já se envolveu com praticamente todas as garotas do campus e consegue ganhar muito dinheiro com o tráfico, ao lado de seu amigo Rupert Guest (Clifton Collins Jr.). Porém seu principal objeto de desejo permanece inacessível: Lauren Hyde (Shanny Sossamon), uma jovem que se mantém virgem à espera de Victor Johnson (Kip Pardue), seu namorado, que está em viagem pela Europa.

Black List

Simples e direto

Roubo nas Alturas
Idéias que não funcionaram ou não foram bem executadas


Roubo nas alturas do Brett Ratner é mais um filme que mostra o quanto ele nao evoluiu com o tempo, O filme conta com algumas cenas legais e até certo ponto empolga, mas cai na onda da colocação de personagem sem influencia algula na trama, Eddie Murphy merecia um lugar de respeito nesse filme, até por que as poucas boas cenas tem seu dedo de comédia, mas seu personagem é colocado sob uma transformação grosseira, como um ladraozinho de caixa, consegue vestir um terno e se passar por um corretor de imoveis a ponto de sacanear o administrador do maior e mais respeitado edificio de Nova York? no fim se torna uma diversão barata e pelo lado "humano" que o filme tenta mostrar acaba se tornando um filme assistivel, mas daqui a uma semana nem se lembrará mas do titulo do filme.
a minha curiosidade ainda é sobre o que houve com a porra do protagonista? e a merda da agente do FBI? vamo deixar ponta soltas, mas esquecer o casal de protagonistas pra encontrar um final ridiculo pro filme é exagerar na dose.

Catch .44
se foi homengem ou referencia não sei, mas nao conseguiu salvar o filme

Catch .44 não é de todo mal, o filme funciona como uma serie de cenas (a principio) desordenadas que vão criando sentir com o passar do filme, além de tudo, mostra o conflito interno de um degenerado solitario e consegue sutilmente explorar a mente fria de um mandador, que nao se importa a minima com seus empregados, me lembrou mais de filmes de ação e comédias mexicanos do que propriamente os filmes do Tarantino.
Aposto que nem se quer sacaram o pq desse ser o nome do filme.
Mas na boa, ja cansei dessa onda de imitar o Tarantino, limitar-se a acompanhar o trabalho do cara é fácil, saber das fontes em que ele bebeu é mais dificil, aí a coisa se torna complicada, pq é mais fácil considerar seu idolo um grande inventor, do que compilador, plagiador e antropofágico cultural, no querido Quentin nao inventou os longos dialogos (empolgantes) em bares a beira de estrada, nem tampouco inventou as cenas de triangulos marcados em que varias (geralmente 3) pessoas apontam armas umas as outras querendo achar uma saída ou descobrir um culpado e muito menos foi o primeiro cara a colocar citações ou parábolas da biblia em um roteiro de filme, mas mesmo assim, nao conseguem impedir que o filme seja por vezes sonolento, Aaron pecou principalmente por tentar colocar um maior teor psicologico onde deveria ter mais ação e violencia.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sam Raimi e a diversão na arte de fazer filmes


Outro diretor a iniciar carreira mostrando habilidade nessa “arte quase esquecida” é Sam Raimi, Considerado um dos diretores contemporâneos mais criativos, principalmente por sua condução de câmeras, jogadas inusitadas e filmagens ousadas. mas diferentemente de Peter Jackson, ele ja começa numa produção hollywoodiana até por que é natural dos EUA. Um fator especial nesse diretor é que em sua estréia com orçamento apertado e poucos recursos, desenvolveu um projeto semi-amador em companhia de seus amigos, o ator Bruce Campbell e o produtor Robert G. Tapert um filme chamado Evil Dead (1981) filme esse que se tornara o recordista em vendas naquele ano, abrindo as portas desse grupo para as grandes distribuidoras da época, a particularidade contida nesse trabalho, é forma com que ele é conduzido, na trama Ash (Bruce Campbell) vai com sua namorada e grupo de amigos para uma cabana no meio da floresta pra passarem o final de semana, a floresta verde e viva é bem explorada na seqüência inicial. Na continuidade da aventura o fator preponderante que influencia toda a trama é a aparição do personagem “camaleão[1]” o Necromonica é como é chamado o livro encontrado por esse jovens dentro da cabana e ao lê-lo conjuram os espíritos adormecidos da floresta, liberando uma força maligna que vai dominando e arrastando um a um até sobrar apenas o herói, o romantismo colocado como eixo na obra se quebra a partir do momento do sumiço da personagem feminina, Ash no entanto buscava salvar a mulher que ama, mas conforme o andamento ele percebe que terá lutar pela sua sobrevivência.
Narrando assim até parece um filme normal, mas evil dead vai alem disso, com cenas cômicas e perturbadoras, como o balé dançado pela jovem já violentada e sem cabeça com o corpo deformado em meio à floresta densa e escura. Sam Raimi buscava um cinema divertido e obscuro ao mesmo tempo, e burlava qualquer tipo de padrão de terror da época, não queria se tornar nenhum Darío Argento ou Alfred Hitchcock, mas com esse primeiro filme entrou para o Hall dos mestres na arte de filmes de terror, mesmo com uma temática e objetivos diferentes dos demais conhecidos diretores.

A ressurreição de uma idéia

Como forma de continuidade dessa linha, Raimi consegue um orçamento maior para um novo filme, mas não abandona a idéia de enxugar o roteiro e fazer algo bem mais trabalhado, daí surgiu o segundo filme da série Uma noite alucinante 2 (Evil dead 2- 1987). Nesse novo filme o diretor recondiciona os personagens e enxuga a trama, deixando um pouco de lado o terror selvagem, trazendo mais a temática do drama e explorando com maior exagero o lado cômico, a idéia de diminuir os personagens implicou no plano de dar mais ênfase ao romance e na figura do herói solitário, nesse caso a maior diferença é que o espírito do mal na figura de vilão tem novos artifícios, e se utiliza da matéria da figura mais frágil pra se apoderar do corpo do mais forte. A figura do vilão se torna insólita, dessa vez a mulher é a arma contra o protagonista, pois ele se vê obrigado a dar fim ao ser que mais ama, para conseguir sobreviver, nesse mesmo tempo dois perdidos se aproximam da floresta em direção a cabana maldita e irão complicar de vez a vida do protagonista.
Dessa vez o diretor se utiliza de planos mais abertos e cortes mais sombrios, optando mais pelo susto do que propriamente o terror em si, a trilha sonora é tensa durante todo o filme, mas o clima é cômico na maioria das vezes, até mesmo nas cenas de carnificina mais escandalosas, um exemplo claro é que a cena que significa o ápice do fim do romantismo na trama, Ash mata sua noiva com uma serra elétrica e mesmo depois de morta com a cabeça decepada, ela continua a falar e ameaçá-lo, ou seja, transforma completamente de agonizante para cômico, mesmo em cenas que deveriam ter um grau maior de dramaticidade.
Na única cena em que o mal parecia perseverar sobre o bem, foi quando o personagem principal começa a ser dominado pelo espírito das trevas e perde o controle de sua mão esquerda, travando uma luta interminável com essa parte importante do seu corpo, até que cria coragem o suficiente para decepá-la e assim a luta continua, mas um de cada lado, armado com uma arma calibre 12 e uma serra elétrica acoplada no lugar da mão ele vai à guerra com seu inimigo invisível
Ao final, como todo filme de herói que se preze; Ash ler o livro dos mortos e expulsa o demônio da floresta, o que sai errado dessa vez é que o portal que se abre leva junto o protagonista deixando o final em aberto, e o objetivo claro de fazer um novo trabalho em cima desse personagem.
O que se percebe na importância do cinema de Raimi para a 7° arte em geral, é que ele conseguiu agregar dois valores distintos da arte cinematográfica, ele como fã dos 3 patetas e da comédia pastelão, trouxe esse tipo de influencia para o seu cinema, rompendo com a tradição condescendente da época, assim explorando novos valores, novas idéias e inovando na criatividade, fator esse que se tornou escasso no últimos tempos dentro do cinema.


[1] Como é chamado o personagem determinante do filme, que não é antagonista nem protagonista.

De A vila à Allphaville

Introdução
Existem muitos filmes que se basearam em alienação social, para construir uma imagem da sociedade tanto no presente quando numa idéia futurista, para mim A vila (The Village- 2004) e Alphaville (Alphaville, une Étrange Aventure de Lemmy Caution- 1965) são retratos distintos e ao mesmo tempo semelhantes dessa idéia, A Vila com seu controle pelo medo e mitos criados em torno de uma floresta e Alphaville, uma sociedade futurista controlada pela ciência.
O que levou-me ao questionamento sobre tais fatos, foram as particularidades de ambas a obras, A Villa é claramente filha de Alphaville, mas retrata o presente, Shyamalan direciona sua critica mostrando que o controle mental e a alienação existem nesse presente, já Godard inicia uma distopia na noção de futuro, uma critica aos nossos preceitos tecnológicos enquadrando essa tecnologia como controladora e alienadora.


Analise e questionamentos em torno de A vila


 A história de terror contada pelo diretor M. Night Shyamalan é a de uma vila que é completamente isolada da sociedade por um bosque. Nenhum de seus habitantes pode atravessar o bosque em direção à cidade, pois é habitado por temíveis criaturas que o pessoal da vila nem tem coragem de citar, se referindo a eles apenas como “aqueles dos quais não falamos”. Esta imagem de medo do mito dos monstros fica cercada de um mistério criado pelos anciões da comunidade, os quais segundo relatos (provavelmente deles mesmo) já haviam sido atacados anteriormente. O motivo do isolamento é que a comunidade da vila mantem uma espécie de pacto de não-agressão com as criaturas. Os habitantes da comunidade não poderiam entrar no bosque, nem usar vermelho, então as criaturas não as atacariam. O filme gira entorno de uma atmosfera escura e de suspense constante, justamente o clima que os anciões tentavam passar para a população: a sensação de medo. Os anciões, que constituíam o governo e “a palavra final” na comunidade, resolveram criar algo para controlar os habitantes do vilarejo, e qual a estratégia mais indicada para controle de massa ? O medo.
Podemos fazer uma relação claramente da obra de Shyamalan com os dias de hoje. Qual a estratégia usada pelo governo dos Estados Unidos para manter a fidelidade da população e sua permanência indiscutível? Também o medo. O uso do medo como fator de repressão de massas foi usado recorrentemente na história e é usado até hoje. A maneira mais eficaz para criar uma justificativa de permanência no poder é criar ou usar-se de uma situação de ameaça para então atacá-la constantemente, criando uma falsa sensação de segurança, não importando se ela existe ou não. O ser humano tende a querer segurança a qualquer custo, mesmo que isto signifique uma má governabilidade.
Isso demonstra bem a passagem do pensamento mítico para o filosófico-científico. O enredo do filme “A Vila” pode ser visto como a evolução da humanidade. No começo, como os habitantes da comunidade já nasciam com a concepção do mito dos monstros formada, incutida em suas mentes desde pequenos pelos anciões, a veracidade do mito era pouco importante. Não havia nenhuma insatisfação que levasse a algum questionamento, pois o problema não era a existência ou não dos monstros, e sim se resguardar deles. Por um bom tempo, eles viveram sem discutir sua veracidade, pois estavam conformados com sua própria situação. Esta pode ser interpretada como uma primeira fase do pensamento humano, na qual os mitos prevaleciam[1], e a explicação dos fenômenos naturais eram explicados pelos mitos.
No desenvolvimento do filme, os personagens vão amadurecendo, e se questionando cada vez mais, insatisfeitos com a maneira de interpretar os fatos que lhes foram impostos a vida toda. Desta insatisfação vem o questionamento e a busca por outra maneira de enxergar a realidade, desafiando os próprios conceitos aceitos pela sociedade. Temos aqui um ponto interessante de comparação do filme com a evolução do pensamento da humanidade: no filme, temos o impasse de Ivy Walker (Bryce Dallas Howard) com seu pai, Edward Walker (William Hurt), assim como temos, na história, o impasse da ciência com a religião, representando o conflito do pensamento mítico-religioso com o filosófico-científico. Ousando ir até um pouco mais além, no filme, Edward Walker é pai de Ivy Walker, assim como o pensamento mítico foi pai do pensamento filosófico-científico, já que foi preciso de uma origem concebida anteriormente para se criar outra.
A revelação da farsa do mito dos monstros mostra a criação definitiva da ciência e sua aceitação pela sociedade. Mas assim como o pensamento filosófico-científico veio se contrapor com o pensamento mítico, estamos sujeitos, em um futuro próximo, vir a contrapor o pensamento filosófico-científico com alguma outra forma de enxergar e compreender nossa realidade.

Analise e questionamentos em torno de Alphaville

Esta foi a primeira incursão do diretor na ficção científica, mas lembrando que o diretor sempre procurava manter seus orçamentos modestos depois da empreitada de O desprezo. Então, nada de grandes efeitos especiais e visual futurístico o plano de fundo é a capital Francesa, com seus luxos luzes e significações da chegada do progresso. Apesar do tema, este continua sendo um filme de Godard. Novamente ele conta com uma presença americana, Eddie Constantine, ator de filmes B de Hollywood e sua garota-símbolo, Anna Karina, para contar a história.
Constantine interpreta Lemmy Caution, uma espécie de espião que vai para a cidade de Alphaville pra cumprir uma missão de eliminar ou capturar o Professor Von Braun. O personagem Caution é emprestado de uma série de filmes populares na França, sempre interpretado pelo mesmo ator. É como se Godard tivesse apenas dando sequência a uma série de filmes. Ele ainda dirigiria outro filme com o personagem em 1991, já o ator ficaria preso a esse papel pelo resto da sua vida.
Alphaville é uma das cidades mais estéreis e opressores que o cinema já viu. O professor Von Braun criou um computador que dita como todas as pessoas da cidade devem viver. Claro que computadores não entendem de emoções, então todas as emoções são proibidas. Em uma cena, um homem pergunta se a personagem de Anna Karina, a filha de Von Braun está chorando, ela responde que não pois é proibido. Em todo lugar há uma bíblia, que na verdade é um dicionário que é constantemente atualizado. Todo dia ele tem palavras cortadas que foram consideradas proibidas.
É o filme mais político do diretor antes de chegar na fase realmente política. O personagem Caution está constantemente contra a política daquele lugar. "Nunca me tornarei um de vocês" ele exclama, e se vira contra tudo que aquele lugar representa. Talvez por isso o nome do professor pareça tão alemão. E também não por acaso somente as pessoas de fora achem que há algo de errado, os moradores não tem reclamações.
Ao fim Caution percebe que a maquina não consegue codificar os mais singelos pensamentos humanos, e ele na figura de herói apaixonado, parte para a retirada de sua amada dessa capital nostálgica e leva-la de volta ao mundo externo.

Semelhanças e referencias na construção das obras

A vila se torna uma obra diretamente influenciada pelo filme de Godard, a noção de repressão e aprisionamento social é algo em comum em ambos os filmes, mas a diferença no tipo de aprisionamento era a forme de controle, se em A vila  sociedade era controlada pelo medo, em Alphaville o governo era estabelecido por uma maquina, que dava retirava das pessoas qualquer senso de realidade, as colocando num estado geral de alienação.
Na Alphaville de Godard, não há subjetividade, não há arte, não há liberdade, não há comportamento imprevisível. Há apenas a ditadura da lógica, apenas seres humanos sem expressão, aos quais progressivamente se proíbe o uso até mesmo de certas palavras, como consciência e amor. Seus habitantes são pessoas que se cumprimentam com um “estou muito bem, obrigado”, isto é, com aquilo que se esperaria de resposta, como que voltados para si mesmos. Qualquer semelhança com os diálogos frios, formais e pré-determinados entre vizinhos/colegas de trabalho que se encontram no elevador não é mera coincidência. O mesmo se pode dizer da semelhança entre o comportamento promíscuo/submisso das mulheres do filme e a instrumentalização corrente do elemento feminino, mero meio para obter prazer ou para que sua utilização na publicidade venda determinado produto. Por que Alphaville exclui da linguagem conceitos como “arte” ou “consciência”? Porque, como Lemmy Caution provou, aquele sistema não os suporta – confrontado com a poesia, implode, deixando suas crias desnorteadas após tanto tempo de alienação. Alphaville não suporta questionamento; tudo são explicações postas, exteriores e inquestionáveis (é proibido dizer “por quê?”; deve-se sempre dizer “porque”).”
Já no filme de Shyamalan, a Vila era corrompida simplesmente por mitos,a obra reflete a tendência comum do ser humano em tentar encobrir o mal, negando, escondendo, fugindo e ocultando-o como um segredo, não é permitido se questionar sobre o que passa fora do mundo isolado do pequeno vilarejo, é como se a existência pura dependesse do isolamento social e eles temiam se tornar escravos das necessidades humanas, as pessoas viviam presas sem acesso a nada que vinha de fora,
Existia uma especie “ lavagem cerebral “ onde são impostos pelos mais velhos todos os ensinamentos do qual acham necessários para que os alunos não possam refletir se realmente não existe algo além do que são exigidos pela sociedade. Vimos também quando alguém resolve refletir e buscar respostas há uma punição pelo descumprimento da lei, a punição no caso de alphaville era a sacrificação, não apenas de quem buscava saber algo sobre as terras externas, mas também tdo ser demonstrasse qualquer singelo sentimento como chorar no funeral da esposa, na capital da dor, até as palavras . assim  ou sentir uma atração por outro ser, todas as pessoas se comportando como meros objetos sendo controlado por uma força maior, um “Deus”chamado Alpha 60 que considera que tudo na vida écalculado.

A resolução e a libertação na centralização dos sentimentos

A libertação de Natacha da cidade de Alphaville, contou com o imenso apoio de seu amado, Remy Caution, ou seja, foi necessário que alguém de terras externas entrasse no sistema da cidade, se envolvesse e desafiasse toda a cúpula de governo, o aprisionamento se dava pela falta de senso critico, como se tudo estivesse bem sempre e nada disso nunca muda, Godard nesse sentido lança a critica a própria sociedade através das cenas em que as cordialidades cotidianas sempre se repetiam igualmente, é como se no futuro que o cineasta imagina tudo seria movido pelo exagero, ou seremos infinitamente cordiais pela ingenuidade e por estarmos sendo controlados e monitorados 24 horas por dia, ou pó pura hipocrisia ou falsidade, até por que o protagonista sempre responde de má fé a essas cordialidades.
Em A vila vemos o temor e a ingenuidade, o medo domina tudo, o isolamento era de certa forma obrigatória, mas como o controle de mentes não era total como o que existia no filme de Godard, logo começariam a aparecer questionamentos sobre existência e a função de cada um naquele lugar, como já de praxe do ser humano buscar por novas verdades e ter dentro de si uma ânsia total de liberdade, nesse filme não seria diferente, Edward se questionava sobre buscar um novo lugar, e o que o ouvia era que não existia nada além das fronteiras de A vila e que poderia ser morto na floresta pelos monstros se tentasse fugir.
Em Alphaville foi necessário alguém vir de fora pra poder fazer a libertação física e psicológica de alguém, Alpha 60 era perfeito como maquina, mas seu ponto crucial é que no seu entender até os sentimentos humanos era algo calculável e controlável, mas se considerava isso então por que privarem as pessoas desses sentimentos? O controlador da sociedade tinha uma falha, a inovação tecnológica não é vista por Godard como algo totalmente bom para o ser humano e coloca Alpha 60 como representante disso.
 O computador decide então enfrentar e obter o controle dos sentimentos, especialmente o amor, mas ao tentar entender e calcular, acaba por pifar, o se vê nessa cena é a principal falha nessa tecnologia que assim como o próprio ser humano é finita, mas a superioridade humana se dá a partir da entendimento e da utilização desses sentimentos para o bem em comum, Alpha 60 não entendia isso, era uma maquina construída infinitamente para calcular, a derrubada o governante central, acaba por definir a destruição total de Alphaville na cena da fuga dos protagonistas fica claro a libertação do aprisionamento e alienação social, emquanto todos os “alienados” queimam junto com a cidade, Natacha libertada pelo amor foge para além das fronteiras da cidade com Remy Caution.
Se em Alphaville a derrocada da cidade se deu de fora para dentro através de Remy Caution, em A vila se deu de forma contraria, Edward se faz os questionamentos conhecidos da linha filosófica e desafia os mando e desmandos dos controladores, nessa caso porem percebemos com clareza tanto no filme de Shyamalan quanto no filme de Godard é o mito da caverna de Platão "imaginemos um muro bem alto separando o mundo externo e uma caverna. na caverna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. no interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali. ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder locomover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira. pelas paredes da caverna também ecoam os sons que vêm de fora, de modo que os prisioneiros, associando-os, com certa razão, às sombras, pensam ser eles as falas das mesmas. desse modo, os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade. imagine que um dos prisioneiros consiga se libertar e, aos poucos, vá se movendo e avance na direção do muro e o escale, enfrentando com dificuldade os obstáculos que encontre e saia da caverna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles, e mais além todo o mundo e a natureza. caso ele decida voltar à caverna para revelar aos seus antigos companheiros a situação extremamente enganosa em que se encontram, correrá, segundo platão, sérios riscos - desde o simples ser ignorado até, caso consigam, ser agarrado e morto por eles, que o tomaram por louco e inventor de mentiras."

Curiosidades e particularidades

Alphaville está entre os filmes de menor orçamento de Godard, Mas é o segundo filme mais assistido do diretor perdendo apenas para Acossado, a receptividade do filme dentro da França surpreendeu até mesmo o próprio diretor, a utilização de recursos básicos – Alpha 60 era um ventilador com uma luz em baixo- não limitou porem o enredo da obra, ao contrario, ele consegue fazer com maestria cada detalhe do regime futurista da cidade explorando apenas Paris como plano de fundo.
Mas considero ele mais humano possível talvez por isso essa grande receptividade, É um filme sublime, que mostra como as pessoas podem se perder se tiverem seus sentimentos reprimidos, pois o que nos faz humanos são eles, são nossa força interior, se não nos expressarmos, seremos como robôs. Não pode deixar de ser visto por nenhum cinéfilo, mesmo que “novato”, nem por qualquer pessoa alias, pois traz uma mensagem importante e você ainda pode ter a chance de compreender como os filmes de antigamente eram mais focados na narrativa, pois os efeitos especiais eram escassos. Hoje os filmes são vagos, tem um começo-meio-fim que parece seguir a mesma lógica, a mesma história, e ainda se perdem nos efeitos especiais.
Em A vila o que predomina é o clima de tensão, mas em uma das sequencias Surge o som de um violino suave e bem tranqüilo, mostrando que este local é de paz, surge um mistura de imagens com crianças lavando pratos, pessoas trabalhando e moças dançando na área de uma casa.  As cenas vão ancorando em imagens bonitas e a música é muito agradável transmitem sensações de alegria e leveza. Mas como parecia tudo bem, surge outro som de um violino agudo dando a sensação de indecisão e tensão, e embalando para mais momentos de sensações de frio na barriga, indicando que algo de ruim vai acontecer, este embalo vai ancorar na imagem do monstro de capa vermelha refletido na água. Por vez é uma belíssima cena, mas representa o perigo o medo.


[1] Como nas sociedades gregas, romanas, célticas

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Peter Jackson e as analogias escatológicas da sua trilogia Trash

Peter Jackson ainda era um prodígio antes de entrar para o hall do cinema norte-americano, no inicio de sua carreira ainda na nova Zelândia exercia com amadorismo porem com muito talento os indícios de que seria um cineasta de muita originalidade. Entre os intervalos da faculdade com seu grupo de amigos aproveitava o tempo com uma câmera a filmar suas idéias e nessa brincadeira saíram filmes como o hilário Nauseá total (Bad taste -1987) apesar de seu lançamento indicar o ano de 1987, esse filme foi iniciado em 1981, com o intuito apenas do divertimento e o roteiro era trabalho a partir das idéias que eles tinham no dia da gravação, onde mostram um extravagante grupo governamental investigando a presença de alienígenas no planeta Terra, e tinham que resolver o mistério de cidades que ficavam desertas sem nenhuma explicação, pessoas desapareciam a todo momento. Até aí tudo bem, não fossem os visitantes esquisitos (quando não estão disfarçados de humanos) e perigosos, usando os cérebros humanos como guloseimas – não é pra menos que a intenção dos seres de outro mundo é conseguir matéria prima para uma rede de fast-food intergaláctico. A ironia nesse filme, via-se na ação dos próprios aliens, o desejo de buscarem no cérebro humano matéria prima para seu planeta, remetia na metáfora da superioridade da raça de outro mundo, sendo assim a fonte de inteligência humana seria um mero tempero em seus fast-food. O paradoxo trabalhado ao longo do filme é que os seres humanos vencem a guerra contra esses seres “superiores”. O que se via nesse clássico do cinema trash/terror era que o roteiro praticamente não existia, a narrativa é básica e sem preocupação com a argumentação, o que se via bastante eram decapitações, sangue, sustos e muito canibalismo.
 Esse tipo de filme geralmente aborda a temática da escatologia tenta ironizar as formas de “fim do mundo” através da comicidade, carnificina e muita podridão, mas existem outros trabalhos que fundamentam outras temática, feitos até mesmo por esse grupo neo-zelandês e novamente regidos por Peter Jackson, dessa vez a idéia de trabalhar com pouco recurso e muito talento ainda é o foco principal, mas o grupo resolve inovar no estilo gore de cinema, a idéia agora na falta de atores pro elenco a solução foi a utilização de bonecos e o resultado é algo que faz rir, Meet the Feebles (1989) choca e até mesmo impressiona, os exageros desse trabalho são comentados principalmente pela fotografia, troca de planos, cenários de brinquedo e muita criatividade o filme fixa em Heidi, a Hipopótamo estrela do show de variedades Meet The Feebles, descobre que seu marido e companheiro de espetáculo Bletch, a Morsa, a está traindo. Mas ela sabe que é preciso lidar com seus próprios problemas e não pode desistir da apresentação. Um musical que trata de abuso de drogas, assalto, AIDS e até assassinato. Mas enquanto o show acontece, o perturbado Trevor, o Rato, quer ameaçar de uma vez por todas o amor entre as estrelas. É que ele está interessado em conquistar Heidi. O que se percebe nesse filme apesar o caráter trash o que ele tem de diferencial é a exploração sarcástica sobre temas como diferenciados, Todos os "Feebles" tem seus próprios dramas pessoais, cada um mais negro e bizarro que o outro, enquanto se preparam para a apresentação de um musical.
Analisar esse filme se torna complicado, perceber cada analogia e metáfora critica contida em cada personagem, é uma missão árdua, cada minuto tem uma atrocidade ou mais, desde um coelho com AIDS vomitando quatro vezes o volume do seu corpo em líquido, á várias cenas de sexo envolvendo um esquilo e uma morsa. O que dá pra perceber também é que Jackson mostra uma visão adulta, escrachada, e doentia sobre os Muppets e quaisquer outros animais antropomórficos. Onde ele ridiculariza os clichês dos dramas pessoais que envolvem o "showbiz", de sexo e traição à drogas e violência. Isso é evidenciado na característica de cada personagem. Wynyard é um jacaré veterano da guerra do Vietnã que é viciado em todos os tipos de droga, da cafeína ao LSD e cocaína, no filme o uso excessivo de drogas por parte do personagem é explicado pela agonia de ser viciado em algo, no caso ele era viciado, na adrenalina da guerra e desde que retornou, tenta resgatar isso.
Na integra essa película consegue chegar com maestria ao seu objetivo, sem recursos, filmando com uma só câmera, – assim como Bad Taste- com fotografia defasada, aqui a proposta é uma diversão escapista, maluca, muito nojenta e divertida.
No terceiro filme da trilogia trash de Peter Jackson a exploração é bem diferente dos dois primeiros; tem uma produção mais bem caprichada além de mais recursos tanto de fotografia quanto de efeitos, mas não perde a essência gore em nenhum momento, nesse trabalho em questão o diretor trata de uma historia um pouco mais dentro dos padrões desse cinema o filme começa com caçadores em uma floresta na áfrica, trazendo consigo o animal exótico batizado de “macaco ratazana de Sumatra” criatura essa que ficaria exposta num zoológico, onde se inicia o desenrolar da historia.
O personagem Lionel é o tópico herói de filmes de comédia, tímido e mora com uma tia velha e rabugenta, personagem essa que delimita o princípio da ação determinante ao ser mordida pelo animal estranho, onde começa a desenvolver uma doença que lhe dá características de zumbi, assim desencadeando um vírus que atingirá a população para alem de sua residência. Nesse novo filme não enxergamos metáforas tão discutíveis como nos outros dois trabalhos e de certa forma, isso é proposital, as analogias empregadas nesse novo cenário são mensagens extremamente sublimares a temática geral do filme, a escatologia explorada na película em questão é  noção de distopia, nesse caso sobre vírus, quase 20 anos antes dos grandes blockbusters hollywoodianos de zumbis, Jackson já explorava esse estilo de fim do mundo com maestria, nesse caso a ironia funciona como forma de humor negro, a sátira do fim do mundo.
Novamente os argumentos são falhos, mas sem tanta importância, o roteiro é mais bem trabalhado, mas nada que impeça a carnificina, os sustos e os inúmeros litros de sangue usados no filme.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Breve ensaio Sobre Santiago

Um documentario sobre um documentario

Sinopse

Em 1992 o diretor João Moreira Salles planejou o documentário "Santiago", baseado na vida do mordomo da casa de sua família. Devido à sua incapacidade em editar as cenas filmadas, o longa-metragem nunca foi concluído. Em 2005 o diretor voltou a trabalhar sobre as cenas gravadas, encontrando outro foco no material rodado.

Quando criança imaginava que todo menino tem um ídolo no qual almejar se tornar pelo menos parecido, olhando pra o jeito de Santiago lembro-me de meu avô, pescador velho e de muitas historias e em duas semelhanças e diferenças, acho que João Moreira Sales, o enxergava não apenas como mordomo, mas como um ser diferente que em 30 anos lhe passou todo tipo de emoção e experiências tão memoráveis Que “Joãozinho” não queria que passassem despercebidas nem pelo mundo e nem por ele e seu irmão, daí surgida a idéia de fazer o documentário. Acho que por esse motivo o filme não se torna um lugar de estranhamento para mim, me imaginei eu como Paulo e meu avô como Santiago, não que sejam parecidos mais a situação em si se torna similar pelo simples respeito e pela admiração daquele personagem.

Tempo implacável, pela sua falta de consideração”

Percebemos ali que não se tratava apenas de um documentário sobre um mordomo culto, Santiago em cerca de de 50 anos escreveu em sua velha maquina aproximadamente 30 mil páginas contanto a história de nobres e aristocratas, de condes italianos a chefes Dakota e ele mesmo se impressionava com essa capacidade, mas esse seu dom o premiava e fazia dele uma pessoa sempre acompanhada por suas lembranças, gostos e personagens dos quais ele não queria que perecessem no esquecimento.
1 hora, 19 minutos e 17 segundos, deitado em frente ao meu notebook eu mergulhava diante de uma nova viagem, viagem da qual me faria imaginar sobre aspectos da vida, as belezas européias, castanholas e até no inferno de Dante.
Santiago me fez pensar num termo chamado “Historia viva”, pois era um sonhador intelectual, um historiador não-acadêmico, mas principalmente um Romântico.
Encaro a segunda idéia do documentário como um pedido de desculpas, por não ter percebidos os detalhes emocionantes no qual ele poderia ter vivido naqueles meros 5 dias, de não ter percebido as singularidades da forma de tratamento, não teve a humildade de perceber não somente a presença do Santiago inteligente, culto e contador de historia, mas sim aquele Santiago que burlava a solidão com seus pensamentos, que mostrava respeito até pelos personagens que cultuava e escrevia.
Em relação ao que percebo de mais emocionante deixo apenas uma frase que acredito ser de minha autoria “Nem todos somos capazes de contar uma grande Historia, mas grandes Historias podem surgir de todos os lugares.”
Santiago é um documentário rude, que atinge e emociona, que te zanga pela brutalidade, mas te rasga de sensibilidade, na humildade de seu protagonista.
Um filme que mostra o quão interessante e emocionante pode ser um pedido de desculpas.